A protecção do Arquipélago Chinijo deixa Caleta de Sebo praticamente sem casas novas apesar da procura crescente
Caleta de Sebo, o único núcleo populacional de La Graciosa, pertencente ao concelho de Teguise, vive uma situação singular dentro do mercado da habitação de Lanzarote: a sua integração no Parque Natural do Arquipélago Chinijo e a condição de ilha dentro da própria ilha limitam severamente qualquer possibilidade de crescimento urbanístico. Segundo fontes municipais, o solo urbano de Caleta de Sebo está praticamente esgotado há anos, e as normas de protecção ambiental tornam muito difícil classificar novo solo para habitação.
Ruas de areia e um urbanismo muito contido
Caleta de Sebo conserva as suas características ruas sem alcatrão e uma escala construtiva muito baixa, um modelo que os próprios moradores defendem como parte da identidade do lugar, mas que também limita de forma directa a oferta de habitação disponível. Fontes do sector imobiliário assinalam que as poucas casas que mudam de mãos atingem preços elevados face à sua dimensão, dada a combinação de escassez de solo e forte procura, tanto residencial como turística.
A pressão do turismo de um dia faz-se sentir na povoação
O aumento de visitantes que chegam de barco a partir de Órzola para passar o dia na ilha impulsionou também a procura de alojamento turístico em Caleta de Sebo, o que, segundo fontes do sector, compete directamente com o uso residencial num núcleo onde quase não há margem para novas construções. Vários moradores optaram por remodelar ou ampliar ligeiramente as casas de família em vez de procurar casa nova, perante a impossibilidade prática de encontrar terreno livre.
Um equilíbrio delicado entre protecção e vida residencial
A Câmara Municipal de Teguise, juntamente com o Cabildo de Lanzarote enquanto gestor do espaço natural, defende que o modelo de contenção urbanística de Caleta de Sebo é a única forma de conciliar a vida dos seus moradores com a protecção de um espaço natural único nas Canárias, embora reconheça que essa mesma contenção dificulta cada vez mais o acesso à habitação para quem quer continuar a viver em La Graciosa.



