O preço dos terrenos na Ribeira Brava dispara com a falta de solo urbanizável na capital de São Nicolau
Uma capital pequena com um mercado que começa a mexer
O preço médio da casa tradicional recuperada ronda já os 6.500.000 CVE.
Tradição agrícola frente a novas exigências
O solo urbanizável situa-se agora em torno dos 45.000 CVE/m², quase o dobro do que valia há três anos.
O turismo de natureza começa a fazer-se sentir
Casas do centro estão a ser convertidas em alojamento para técnicos e cooperantes estrangeiros.
Um mercado quase sem oferta nova
O aumento homólogo dos preços ronda os 12% na zona envolvente do centro.
Uma capital que cresce para dentro
A escassez de terreno urbanizável obriga a Ribeira Brava a intensificar o aproveitamento do solo já edificado, em detrimento da expansão para a periferia agrícola. Os técnicos municipais reconhecem que a orografia da zona limita consideravelmente as opções de crescimento físico da cidade. Esta circunstância explica em boa medida a escalada recente do preço do solo urbanizável.
O contraste com outras capitais insulares de Cabo Verde
Face à Praia ou ao Mindelo, a Ribeira Brava mantém um mercado de dimensão muito mais reduzida, mas o ritmo de encarecimento do solo é comparativamente semelhante. Os agentes imobiliários sublinham que, por se partir de preços mais baixos, qualquer subida percentual é sentida com maior intensidade pelos residentes. Esta sensação de encarecimento acelerado alimenta alguma preocupação entre as famílias que procuram construir a sua primeira casa.
Cooperantes e técnicos estrangeiros, os novos inquilinos
A chegada de técnicos e cooperantes ligados a projetos de cooperação internacional e ao turismo de natureza introduziu um novo perfil de inquilino no centro da Ribeira Brava. Este grupo costuma pagar rendas superiores às habituais entre os residentes locais, o que pressiona o mercado de arrendamento disponível. Proprietários de casas na zona central começaram a dar prioridade a este tipo de arrendamento em vez do residencial tradicional.
Preocupação com o futuro dos bairros agrícolas
Os moradores dos bairros periféricos, tradicionalmente dedicados à agricultura, receiam que a pressão sobre o solo acabe por alcançar também os seus terrenos nos próximos anos. Recordam que processos semelhantes já ocorreram noutras localidades da ilha, com a conversão progressiva de terras de cultivo em lotes para construção. Pedem à câmara municipal que estabeleça limites claros antes de a tendência se tornar irreversível.



