A falta de habitação para pastores, queijeiros e guias de percursos pedestres aperta o sector primário de São Jorge
Trabalho é o que não falta, habitação sim
Encontrar pessoal para a ordenha tornou-se difícil pela falta de habitação acessível nas proximidades.
Dois sectores, o mesmo estrangulamento
Casas próximas das queijarias são destinadas ao alojamento turístico, mais rentável.
O turismo, concorrente e carenciado ao mesmo tempo
Guias e monitores têm dificuldade em encontrar arrendamento de curta duração.
Apelos a uma resposta conjunta
Pede-se apoio específico à habitação para trabalhadores do sector primário e do turismo.
Uma ilha com vocação pecuária e queijeira
São Jorge é conhecida em todo o arquipélago pelo seu queijo curado de leite de vaca, uma produção que depende diretamente da disponibilidade de mão de obra disposta a viver no meio rural das explorações, muitas vezes afastadas dos principais núcleos populacionais. Criadores da ilha explicam que encontrar pessoal jovem disposto a instalar-se perto das queijarias se tornou quase tão difícil como encontrar habitação disponível para lhes oferecer, um problema que há uma década praticamente não existia.
O turismo ativo concorre pelo mesmo espaço
As empresas de percursos pedestres e de turismo ativo, em crescimento graças à rede de fajãs e levadas da ilha, precisam de alojar guias e monitores durante a época alta, precisamente quando a oferta de arrendamento é mais escassa devido à concorrência do alojamento turístico de curta estadia. Vários empresários do sector admitem que tiveram de desistir de contratar pessoal qualificado simplesmente por não lhes conseguirem garantir alojamento estável nos meses de maior atividade.
Casas que mudam de uso
Proprietários de casas próximas das queijarias confirmam que destiná-las ao alojamento turístico de curta duração é consideravelmente mais rentável do que arrendá-las a trabalhadores do sector primário, o que reduz ainda mais uma oferta já limitada. Esta lógica económica, compreensível do ponto de vista individual, agrava o problema estrutural que criadores e empresas turísticas enfrentam por igual na hora de reter pessoal na ilha.
Uma resposta que tarda em chegar
Representantes de ambos os sectores transmitiram ao Governo Regional dos Açores a necessidade de uma linha específica de habitação para trabalhadores essenciais em ilhas pequenas como São Jorge, semelhante às que já se discutem noutras zonas do arquipélago com problemas parecidos. Por agora não existe um calendário concreto para a sua entrada em vigor, o que mantém a incerteza entre quem depende de encontrar alojamento estável para continuar a trabalhar na ilha.



