Empregados de mesa, pedreiros e pessoal doméstico não encontram onde viver perto do trabalho na Praia
Quem constrói a cidade não consegue viver nela
O arrendamento de um quarto perto dos hotéis e do centro ronda os 12.000-15.000 CVE mensais.
Longas deslocações diárias
Muitos trabalhadores fazem trajectos de uma hora ou mais em hiace ou aluguer.
Um desajuste que preocupa promotores e empresários
Algumas empresas estudam apoios à renda para os seus trabalhadores.
A outra face do crescimento da Praia
Sem habitação acessível dirigida a estes trabalhadores, o problema tenderá a agravar-se.
O custo real de viver perto do centro
Além da renda de um quarto, que ronda os 12.000 a 15.000 CVE mensais, muitos trabalhadores têm de suportar despesas adicionais de transporte e alimentação que reduzem ainda mais um salário já apertado, sobretudo entre o pessoal doméstico e da restauração, cujos vencimentos mal ultrapassam o salário mínimo. Sindicatos do sector dos serviços da Praia assinalam que esta combinação de baixos rendimentos e rendas em alta está a levar parte dos trabalhadores a abandonar os seus empregos em busca de alternativas menos exigentes em termos de deslocação.
As hiace como termómetro do problema
As hiace e os aluguer que ligam os bairros periféricos ao centro da Praia tornaram-se um indicador indirecto desta dinâmica: os condutores destas rotas confirmam que a procura de madrugada, quando começam os turnos de limpeza e de cozinha em hotéis e restaurantes, não parou de crescer nos últimos anos. Os próprios trabalhadores descrevem jornadas que ultrapassam as doze horas se lhes somarmos o tempo de deslocação, um encargo que muitos consideram insustentável a longo prazo.
Algumas empresas começam a reagir
Perante a dificuldade crescente em reter pessoal, vários hotéis e restaurantes da zona turística da Praia estudam fórmulas de apoio directo à renda ou mesmo a criação de alojamento próprio para parte dos seus trabalhadores, seguindo o exemplo de experiências semelhantes noutras cidades turísticas da região. Os representantes empresariais reconhecem, no entanto, que se trata de soluções parciais enquanto não existir oferta suficiente de habitação acessível no conjunto da cidade.
Um desafio para o urbanismo da Praia
Os técnicos municipais admitem que o crescimento da Praia como pólo turístico e de serviços não foi acompanhado por um planeamento equivalente em matéria de habitação acessível, o que explica em boa parte o actual desajuste entre a oferta de emprego e a oferta residencial. Sem medidas concretas, avisam, a cidade corre o risco de repetir o padrão de outras capitais da região, onde quem sustenta a economia turística acaba empurrado para a periferia mais afastada.



