A Câmara Municipal da Brava estuda ceder casas municipais para travar o êxodo da ilha
Uma medida perante a emergência demográfica
Cedem-se casas municipais vazias em Nova Sintra e noutros núcleos da ilha.
Um parque público limitado, mas simbólico
Pouco mais de uma dezena de casas repartidas entre a capital e os núcleos rurais.
Critérios de acesso ainda em discussão
Dá-se prioridade a famílias jovens naturais da ilha e a profissionais essenciais.
Ceticismo prudente entre os moradores
Recordam-se iniciativas semelhantes anunciadas no passado que nunca se concretizaram.
Um parque de habitação pública herdado de décadas anteriores
As casas municipais que agora se pondera ceder em Nova Sintra e noutros núcleos da Brava provêm, na sua maioria, de construções públicas com várias décadas, algumas ligadas a antigos programas de habitação social já extintos. Os técnicos municipais reconhecem que várias destas propriedades exigem obras de reabilitação antes de poderem voltar a ser habitadas. A autarquia está a avaliar se essa reabilitação ficará a cargo do município ou se será transferida, pelo menos em parte, para as famílias beneficiárias. A escassez de recursos próprios de um município pequeno como a Brava condiciona o ritmo a que a iniciativa pode avançar.
A emergência demográfica da mais pequena ilha habitada
A Brava é uma das ilhas de Cabo Verde com maior queda populacional nas últimas décadas, um fenómeno que as autoridades locais atribuem tanto à emigração histórica como à falta de oportunidades de trabalho para os jovens. A Câmara Municipal encara a cedência de casas como mais um instrumento dentro de uma estratégia mais ampla para travar esta tendência, que inclui também incentivos ao pequeno comércio e à agricultura. Investigadores da área da demografia alertam que, sem medidas adicionais, a ilha poderá continuar a perder população nos próximos anos. A autarquia reconhece que a habitação é apenas uma parte de um problema mais complexo.
Moradores pedem garantias depois de experiências passadas
Vários moradores de Nova Sintra recordam iniciativas municipais anunciadas em anos anteriores para ceder ou reabilitar casas públicas que nunca chegaram a concretizar-se por falta de orçamento ou de acordo político. Este antecedente explica o ceticismo com que boa parte da população recebe o novo anúncio, apesar de valorizar a intenção. Associações de moradores pedem que a autarquia fixe prazos concretos e os torne públicos, para evitar que a medida fique numa simples declaração de intenções. A Câmara Municipal garante que desta vez conta com um compromisso orçamental mais firme, embora não tenha avançado números concretos.
Profissionais essenciais, uma prioridade assumida
Entre os critérios de acesso em ponderação figura a prioridade para profissionais considerados essenciais para a ilha, como pessoal da saúde, professores ou técnicos municipais, cuja escassez se agravou com a dificuldade em encontrar casa na Brava. Responsáveis municipais reconhecem que a falta de alojamento adequado dificultou no passado a contratação de determinados perfis profissionais. Os sindicatos da função pública na ilha acolheram com interesse esta possibilidade, embora peçam que se concretize quanto antes em concursos formais. O objetivo assumido é evitar que a ilha perca serviços básicos por não conseguir fixar estes profissionais de forma estável.



